O GRITO DA SECA

Grandes secas

Milhares de retirantes vindos do sertão, ocupam a estação de Iguatu em 1877.

A seca de 1723 - 1727

Segundo D. José Adelino Dantas, "foi no século XVIII, que se verificou a primeira longa e calamitosa seca do Nordeste, abrangendo cinco anos consecutivos, de 1723 - 1727.

Em 1877 ocorreu a mais devastadora de todas as secas, a economia ficou arrasada, as doenças e a fome dizimaram o rebanho que sustentava milhares de famílias.

A seca - 1776 - 1780

Nesses cinco anos praticamente não choveu. Uma das mais graves secas que atingiram todo o Nordeste. Em Fortaleza, capital da província do Ceará famílias maltrapilhas e famintas iam de porta em porta pedindo água, comida e roupas.

No interior, unidos em grupos, flagelados saqueavam depósitos de mantimentos do governo. Em Juazeiro o padre Cícero se desdobrava para salvar seus fiéis, a seca estava acabando com o povoado em que ele vivia há uns cinco anos.

Sertanejos chegavam acreditando que o governo lhes daria passagens e previsões para migrarem a outras províncias, como a do Amazonas, a migração era vista por muitos como a melhor saída para o problema da seca. A salvação era sair do Ceará.

"A peste e a fome matam mais de quatrocentos por dia", escreveu Rodolfo Teófilo, horrorizado com o que assistia; parado numa esquina, em pouco tempo viu passarem vinte cadáveres. “E as crianças que morrem nos abarracamentos, como são conduzidas! Pela manhã os encarregados de sepultá-las vão recolhendo-as em um grande saco: e, ensacados os cadáveres, é atado aquele sudário de grossa estopa a um pau e conduzido para a sepultura”. As notícias incomodavam a Corte, o imperador chegou a dizer: “Não restará uma joia da Coroa, mas nenhum nordestino morrerá de fome.” Mas uma das promessas demagógicas, por conta da seca.

Milhares sertanejos morreram nas estradas do sertão em direção ao litoral, a grande maioria crianças que não suportavam a distância de uma viagem á pé.

Hoje se calcula que morreram mais de meio milhão de pessoas em consequência das secas de 1776 a 1780. O engenheiro André Rebouças, abolicionista, negro, respeitado por suas ideias progressistas, calculava em mais de dois milhões as pessoas atingidas pela seca, ainda em novembro de 1877.

Fortaleza, ficou conhecida como capital do desespero. De 21 mil habitantes pelo censo de 1872 passaram a ter 130 mil em 1877.

Foto da criança: Uma das vítimas da Grande Seca, Ceará, 1877. Foto de Joaquim Antônio Correia, “Vítimas da Grande Seca”, Albúmen - Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil

A seca 1914 - 1915 / 1929 - 1932 / Campos de concentração no Brasil

Campo de Concentração do bairro de Pirambu, Fortaleza (CE), 1932

Apesar do romance de Rachel de Queiroz ter sido escrito apenas em 1930, a história do “O Quinze” retrata, com verossimilhança assombrosa, a seca de 1915.

Seca intensa em toda região semi-árida nordestina. Com efeito, a seca de 1915 foi uma das mais terríveis que já se espalhou pela região nordestina. Foi a inclemência da devastação de tudo acima e abaixo da terra, do desespero do homem e da dizimação dos rebanhos, da fome e da sede alastradas em progressão alarmante, das muitas e muitas levas de retirantes abandonando seus lugarejos já quase mortos.

Foi nessa estiagem que, para impedir que os retirantes se dirigissem à capital, o governo cearense resolveu se precaver de uma maneira desumana. O governo criou os primeiros currais humanos, campos de concentração em regiões separadas por arames farpados e vigiadas 24 horas por dia por soldados para confinar as almas nordestinas retirantes castigadas pela seca.

Vítimas da seca - Crianças e adultos ao lado da linha férrea que levava para o Campo de concentração de Senador Pompeu. De forma assustadoramente parecida, as cenas brasileiras dos currais humanos lembravam bastante os campos de concentração nazistas.

A varíola fez centenas de mortos no Campo do Alagadiço, próximo a Fortaleza, onde se espremiam mais de 8 mil pessoas; a falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro.

A seca de 1915 deixou marcas profundas, segundo a Inspetoria de Obras Contra a Seca – IOCS , entre 1914 e 1915, 2 milhões de pessoas morreram em consequência da miséria e fome da estiagem. Os sertanejos retirantes passaram a chamar os campos de concentração de “currais” o que etimologicamente parece dar conta do que eram esses espaços. O termo "flagelado", referindo-se aos retirantes, passa a ser predominantemente utilizado pelos estudiosos e veículos de comunicação. Segregar os retirantes das populações urbanas foi a solução encontrada pelo governo e elites para que o citadinos não tivessem que conviver com as pessoas de "fisionomia marcada pelo rito da miséria".

Os campos de concentração não apresentaram resultados satisfatórios, estava claro que o método havia falhado, porém, 17 anos depois da tragédia do 15, novamente o Governo do Estado se utiliza dos "currais" campos de concentração da seca de 1932, para conter as populações de flagelados que invadiam as cidades.

Em Fortaleza, além da "reativação" do campo de concentração do Alagadiço, foi criado o Pirambu, que ficou conhecido como Campo do Urubu e as cidades de Cariús, Ipu, Quixadá, Quixeramobim e Senador Pompeu também tiveram os campos instalados e ali morreram milhares de pessoas.

Na avaliação do Presidente de Estado na época, o engenheiro e militar Benjamim Liberato Barroso: "Ainda parece ouvirmos em tumulto queixume de um povo bom a debater-se de agonia de misérias que não vão bem longe. Sofreu com coragem inimitável os horrores da seca sem cometer desatinos; morreu de fome sem roubar nem saquear".

A seca de 1979 - 1984



A mais prolongada e abrangente seca da história do Nordeste. Atingiu toda a região, deixando um rastro de miséria e fome em todos os Estados. No período não se colheu lavoura nenhuma numa área de quase 1,5 milhão de km².

Só no Ceará foi registrada mais de uma centena de saques, quando legiões de trabalhadores famintos invadiram cidades e arrancaram alimentos à força em feiras-livres ou armazéns. Segundo dados da Sudene, entre 1979/1984 morreram na região 3,5 milhões de pessoas, a maioria crianças, por fome e enfermidades derivadas da desnutrição.

Pesquisa da Unesco apontou que 62% das crianças nordestinas, de zero a cinco anos, na zona rural, viviam em estado de desnutrição aguda. As frentes de emergência empregaram 26,6 milhões de trabalhadores rurais.

A seca de 2012 - 2017



A série histórica de 2012 a 2017, é considerada a maior seca de todos os tempos. A diferença central é que hoje há muito mais infra-estrutura que no século XIX. Hoje a região do nordeste conta com uma grande quantidade de açudes, barragens, adutoras, cisternas e poços tubulares que amenizam a situação diante de um seca histórica.

As atividades econômicas que mais sofrem com a seca, são a pecuária e agricultura. O abastecimento humano também fica muito prejudicado, em alguns municípios o abastecimento vem sendo feito através de carros pipa.

Holocausto da Seca



O Holocausto da Seca conta a triste história da construção dos campos de concentração construídos no Brasil.

Vinte quatro (24) anos antes de explodir no mundo a segunda guerra mundial, aqui, abaixo da linha do Equador, o governo do Estado do Ceará criou "os currais humanos", campos de concentração em regiões separadas por arames farpados. Vigiados 24 horas por dia por soldados para confinar as almas nordestinas retirantes castigadas pela seca. Flagelados da seca, presos como animais.

Milhares perderam suas vidas, a falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro.

Segregar os retirantes das populações urbanas foi a solução encontrada pelo governo e elites para que o citadinos não tivessem que conviver com as pessoas de "fisionomia marcada pelo rito da miséria".

SAIBA MAIS, ACESSE:
› HOLOCAUSTO DA SECA

Foto: (1)(3)(4) A/D - Arquivo OpenBrasil.org / (2) Acervo da Fundação Biblioteca Nacional
O Grito da Seca - OpenBrasil.org

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